
Crianças repetem posturas e comportamentos que veem. Gostam de se amostrar, ousar (uma garotinha chega a bater na cabeça do garotinho) e o que se espera é o olhar atento de pais que orientam e estabelecem fronteiras de comportamentos para as crianças. Os pais que estavam naquele parque não estavam atentos... ou, pior, compartilhavam o pré-conceito/preconceito da cor.
Se a cena parasse aqui, motivo haveria para indignação, tristeza, frustração, incompreensão da mente alheia. Mas não, a cena continua... para o bem.
Tranquilamente, a mãe/avó conduz o garotinho até à rua e, na saída, o garotinho dá um tchauzinho para as crianças que ficaram no parquinho. Em sua ingenuidade e alegria infantil, e frente à altivez da sua mãe/avó que o retirou de uma zona agressiva de forma suave, ele estava bem. Ela, a adulta, foi fundamental para isso.
Assim vi.
Mas assim não viu quem apressadamente comentou o vídeo. Indignados e tristes, permitiram-se ser agressivos nos comentários ao vídeo. Agressividade gerando agressividade? Como alguém pode dizer "não seja agressivo" sendo agressivo? Comentários refletem tanto o comentado como o comentarista, sim? Que bem e aprendizado se tira assim?
Quem apressadamente comentou parece que não percebeu o mais importante: o garotinho agredido "não se sentiu agredido". Não foi afetado, saiu bem do parquinho. Leve estava com a leveza demonstrada pela mãe/avó. Forte cresceria como a sua mãe/avó.
As outras crianças? Como crescerão ouvindo o que ouvem e vendo o que veem ao seu redor?
E este é o ponto que quero neste momento fazer: a todo momento, em toda situação, temos a oportunidade e a responsabilidade de lidar da melhor forma com as situações que vamos viver. A decisão e a ação de avançar ou recuar é importante? Sim, é. Mas o domínio da calma, da tranquilidade e da ponderação no lidar com o outro, no agir e no falar em qualquer decisão e ação mais importante ainda é.