Um cai, outro sobe

A Satyam, uma das maiores empresas de TI da Índia, inflou o seu próprio resultado financeiro em cerca de US$ 1 bilhão e isso veio à tona há 3 semanas. Afora as dificuldades que eles já estão enfrentando (intervenção do governo indiano e redução de 93% no valor de mercado da empresa), este pode ser mais um novo "tipping point" (ponto de virada) que vamos ter a chance de ver acontecendo na vida real.. Desastroso para eles, é verdade... Mas potencialmente interessante para nós...

Por que? Porque somos (Brasil e Índia) concorrentes comerciais na nossa área. E o que está acontecendo com a Satyam pode levar o mercado a olhar diferentemente não só para a Satyam, mas também para outras empresas indianas do setor. Um exemplo? O Banco Mundial acabou de divulgar o veto à Wipro (outra gigante indiana) como fornecedora de tecnologia.

Podemos olhar qualquer um como parceiro ou como concorrente. Mas se olharmos as empresas indianas como concorrentes, veremos algumas oportunidades que começam a surgir a nosso favor. Eles falam Inglês desde crianças, são disciplinados, são muitos em quantidade e definiram tecnologia como prioridade há mais de 20 anos. Mas teem tido casos de terrorismo (ataque recente em Mumbai) e vivem em tensão na fronteira com o Paquistão, o que já começava a contar como pontos fracos no SWOT do país. E agora essa questão de falta de governança que abala a relação de confiança que deve existir entre fornecedor e mercado, entre fornecedor e clientes..

Nós não falamos Inglês desde crianças mas estamos praticamente nos mesmos fusos horários do maior mercado comprador de tecnologia (ainda os EUA), somos criativos, determinados, otimistas e empreendedores em essência e acordamos há pouco para a necessidade de investir intensivamente em nossa capacitação. Mais, o nosso país é pacífico e, no todo, bem visto pela comunidade internacional, especialmente depois do conceito dos BRICs (que também engloba a Índia).

A hora é de trabalhar 48 horas por dia, como se isso fosse possível, para não perder essa janela de oportunidade que se anuncia. Este pode ser, sim, o momento de uma grande virada. Esta virada só será amplamente reconhecida no futuro, mas acreditar nela à frente, agora, pode determinar quem serão os primeiros a alcançá-la. E, se hoje falta-nos tamanho, empreguemos cada vez mais sensibilidade, eficácia e inteligência na identificação de públicos-alvo e na prestação de serviços aos nossos clientes..

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