O preço das nossas gemas

Conta a história de Coromandel, cidade extrativista mineira, que "Getúlio Vargas" foi extraído das jazidas em 1938. Não, não foi o ex-presidente que foi extraído do solo, mas sim um diamante maior do que um ovo de galinha, então batizado com o nome do presidente.

"Getúlio Vargas", o diamante, foi vendido "por 2.300 contos de réis pelo garimpeiro, comercializada no Rio por 5.000 contos de réis, e depois comprada por um grupo suiço-alemão por 9.000 contos de réis", conta-nos o garimpeiro Dario Rocha. Ou seja, o preço pago ao garimpeiro foi 25% do preço pago pelo grupo suiço-alemão. Então me responda sem pensar muito: o que valeu mais nesse caso? A gema, em si, ou o conhecimento de quem poderia pagar por ela?

Penso na nossa indústria de software e no quanto as empresas se concentram em "garimpar código" em vez de identificar no mercado quem mais valorizaria as suas "gemas". Esta é uma analogia, sim, entre o foco no desenvolvimento e o foco no mercado. Precisamos ter as gemas (o software de qualidade), sim, para ir ao mercado, mas saber mostrar o valor do nosso software e serviços (através das métricas..), a um público-alvo identificado, conhecido e definido por ter mais condições de reconhecer e pagar o preço pelo valor da nossa oferta é fundamental para que as nossas empresas aumentem seus patrimônios líquidos (e este, sim, é o objetivo final das nossas empresas, não é mesmo?)..

"Parte" do "Getúlio Vargas" está hoje incrustada na coroa da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Imagino o quanto esta parte, apenas esta parte do diamante, valeria hoje...

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