O negócio rege a transformação digital


  1. "Transformação digital sem sentido para o negócio não faz sentido."
  2. Uma equipe dedicada, apoiada por uma alta diretoria comprometida, deve ser responsável pelos esforços da transformação digital em cada empresa ou filial.
  3. Criar o interesse pela competição externa e interna acelera o programa e atrai fornecedores, parceiros e clientes. Novas oportunidades de negócios surgem.
Estes são os 3 ingredientes-chave discutidos no excelente artigo "The 3 Key Ingredients for the Digital Transformation of Manufacturing", escrito por Peter Herweck e Francisco Betti e publicado ontem na agenda de Davos 2020 pelo Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial

Mais fácil de entender agora, sim?

No caso da transformação digital, o que vale para a manufatura no artigo vale para qualquer setor econômico. Não são poucos os casos, no entanto, em que empresas colocam a tecnologia em si como centro e único ingrediente-chave da transformação digital. Com atraso perceberão o erro. Pouco importarão os seus investimentos em tecnologia pura se não souberem o que é essencial para manter os seus negócios relevantes e para fazê-los crescer na economia digital.

Vemos isso recorrentemente. Várias empresas agendam e visitam o Porto Digital para conversar sobre pólos tecnológicos, inovação aberta e transformação digital. Numa dessas visitas, foi montado um painel para discutir sobre transformação digital com uma equipe de mais de 20 pessoas de uma grande empresa brasileira. Muitos falaram sobre tendências digitais e traçaram cenários inovadores não necessariamente contextualizados à realidade "daquela empresa". Onde estava o foco "no negócio da empresa" ali?

Ao invés de opinar, fiz uma pergunta dirigida à equipe da empresa: "quais são hoje os problemas específicos e prioritários dos seus clientes?". Olhares de surpresa, silêncio... Algumas respostas começaram a chegar, que me levaram a mais perguntas que os fizessem ver que o negócio rege a transformação digital.

Despertaram! Sim, eu os tinha estudado, tinha feito o benchmarking deles, ali fazia perguntas contextualizadas à realidade deles. Mudou a dinâmica! A participação aumentou, a discussão se tornou muito rica e 1 hora voou! Naquela 1 hora, panelistas e audiência se uniram, enfim, para priorizar o priorizável: discutir os 3 ingredientes-chave para a transformação digital "daquela empresa". Este era o nosso papel ali. 

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