sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Significado, interlocução, paixão e orgulho

Existem várias barreiras à inovação: "falta de visão, medo de mudanças, falta de competências, a síndrome do "ainda não foi inventado".. Mas também existem várias formas de mudar as regras do jogo da competição através da inovação. Uma delas é "radicalmente" inovar o significado de produtos e serviços. Este é o tema do livro "Design-Driven Innovation", de Roberto Verganti.

"Inovações baseadas em design não surgem do mercado, elas criam novos mercados. Não forçam a adoção, oferecem radicalmente novos significados." 

Como inovar e se diferenciar da competição assim? Segundo Verganti, design não é apenas forma e função. Design significa também "trazer sentido às coisas. Inovação baseada no design é o processo de pesquisa e desenvolvimento para significados".

Como clientes, compramos e usamos tudo o que usamos por razões utilitárias (precisamos do que fazem), mas também por razões psicológicas, emocionais e socioculturais. Portanto, como fornecedores, poderíamos ou "deveríamos ir além das características, funções e desempenho" do que desenvolvemos, procurando entender os vários significados que nossos clientes atribuem aos nossos produtos e serviços. Ou seja: por que eles compram de nós?

Esse ir além se contrapõe à suposição aceita como verdade de que não se pode inovar em significados, de que significados não pertecem às atividades de P&D. Interessantemente, são os novos significados, não solicitados e ainda não demandados pelo mercado, que dão origem às grandes inovações. Os clientes não pediram o novo significado, mas o reconhecem e o amam imediatamente!

Exemplos? Smartphones, Wii, toda a linha de produtos que começa com "I" da Apple, para começar.. Tais produtos "criaram a necessidade, o significado", foram além da "inovação centrada no problema e necessidade atual de um grupo de clientes". Criaram "propostas" de visões!

Segundo Verganti, o processo de criação das propostas de visões envolve 3 ações:
  1. Ouvir: ouvir vários e diferentes grupos: clientes reais, clientes potenciais, designers, marqueteiros, sociólogos, artistas, antropologistas, organizações culturais, instituições de pesquisa, instituições educacionais, fornecedores de tecnologia, pessoas trabalhando em projetos pioneiros, imprensa;
  2. Interpretar: "processo interno através do qual a empresa estima o conhecimento que ela ganha ao interagir com os "interpretadores" (grupos citados na ação de ouvir), e recombina/integra esse conhecimento com seus próprios insights, tecnologias e ativos. O objetivo desejado é o desenvolvimento de um significado inovador para uma família de produtos". "Esta atividade pode demorar meses e não envolve a rápida geração de várias idéias criativas. Ao contrário, é pesquisa real. A possibilidade de que cada participante preveja novos cenários é baseada não em sua criatividade, mas no quanto ele desenvolveu seu caminho de exploração. Se não há base de conhecimento, não há visão de futuro";
  3. Endereçar: tendo criado o significado radicalmente inovador, a empresa volta a discutir com os interpretadores de forma a tornar a inovação menos ameaçadora (por ser fora dos padrões existentes..) e mais significativa e atraente no momento em que os grupos potenciais de compradores tiverem acesso a ela.
Tudo pode ter significados. Comida tem significados (a gastronomia revela muito da cultura), bens duráveis têem significados (smartphones conectam pessoas estejam elas onde estiverem, Swatch é relógio "e" acessório da moda), produtos, instrumentos e componentes empresariais têem significados. Serviços e software também têem significados. Para Verganti, a definição dos significados é a base para a definição das funções do produto ou serviço. Ou seja, função segue significado - e não o contrário..

Ainda segundo Verganti, "significados evoluem em ciclos de transição radical e incremental, frequentemente por causa de mudanças tecnológicas." Em transições incrementais, as necessidades de mercado são auscutadas e investigadas. A maioria das nossas inovações é incremental. Em transições radicais, há a aposta da proposta da visão: "Mercado? Que mercado? Nós não olhamos as necessidades do mercado. Nós fazemos propostas às pessoas", diz Ernesto Gismondi nestas situações.

Ou seja:
- inovações incrementais são centradas nos clientes/usuários, em descobrir as suas necessidades. Melhores interfaces e produtos e serviços em categorias já estabelecidas são exemplos típicos;
- inovações radicais não são centradas nos clientes/usuários. São centradas em novos significados, em tecnologias, disruptivas, que "refletem a dinâmica de pesquisa tecnológica avançada" e "envolvem mudanças radicais em modelos socioculturais".

"Tecnologias oferecem oportunidades não completamente percebidas" (Giampaolo Proni), mas é bom sempre se antecipar à concorrência: "Se um cliente pede uma característica específica, isso significa que alguém já criou isso antes" (Bruno Murari). "A visão deve vir primeiro",  reafirma Verganti.

"A diferença entre lucro e perda em inovação não está na quantia aplicada, mas em como você investe". O mais lucrativo pode ser investir no significado e planejar o início vagaroso de aceitação pelo mercado ("as pessoas vão ter que dar um "reset" na forma em que pensam sobre o produto ou serviço para entender e desejar o novo significado radical"), já que produtos e serviços com maior e mais claro significado ajudam a consolidar a marca da empresa e  podem se permitir um preço premium..  2 advertências:
1- "Um significado não é a soma de funções; é um conceito integrado, menos sensível a melhorias em características específicas" (Verganti);
2- "Para desenhar produtos diferenciados com clara personalidade, será preciso um líder para proteger aquela personalidade" (Lowie Vermeersch).

Quanto mais pesquisarmos em dimensões variadas e diferentes entre si (tecnologia, ciência, linguagem, significado...) mais chances teremos de criar novos significados. "Tecnologia é um dos mais influentes fatores na forma como vivemos", diz Verganti. Mas, se queremos desenvolver inovações baseadas no design, na criação de novos significados, devemos saber "que outras empresas em outras indústrias estão definindo como público-alvo "o nosso público-alvo" e desenvolvendo produtos e serviços" específicos para eles. Essas empresas têem potencialmente os mesmos interesses e problemas que temos, mas estão "experimentando em profundidade uma visão específica ao invés de tentar centenas de idéias não relacionadas geradas por brainstorming".. E, por não serem nossas concorrentes, podem compartilhar conosco suas interpretações sobre públicos-alvo comuns...

O que nos compete então? Montar e reunir ao redor das nossas empresas "um círculo de interlocutores que possam se tornar uma inimitável fonte de inovação" para o desenvolvimento de produtos e serviços com personalidades próprias. Para que isso aconteça, será fundamental a perspicácia e o bom olho do executivo para ser ele mesmo um interlocutor e para identificar e atrair, antes da concorrência, esses interlocutores ou interpretadores-chave.

"Quando as pessoas compram puramente por causa das características funcionais, eles procuram a melhor relação utilidade-preço. Mas quando as pessoas também procuram por valor emocional, ter o produto original faz uma formidável diferença. Em inovação baseada no design, as pessoas procuram pelo inovador. Competidores podem imitar a função e a forma de um produto, mas eles nunca serão capazes de imitar o verdadeiro significado do produto ou serviço, porque o significado está fortemente ligado à marca do inovador", diz Verganti - "inovadores investigam e experimentam, enquanto imitadores esperam, observam o que os inovadores fazem, vêem como o mercado reage e então investem depois apenas no que já foi aceito."

Perguntas para você, então:
- qual é o significado do seu software?
- quem são os seus interlocutores?
- por que as pessoas compram de você? Continuarão comprando por este motivo?
- em que você pensa constantemente durante o processo de P&D e Vendas: "isso vai fazer muito dinheiro" ou "as pessoas vão gostar muito disso"? (falaremos mais sobre isso em outra postagem)

Aproveitando o último dia de 2010, segue um ensinamento final de Verganti para 2011: que sejamos verdadeiramente apaixonados pelo que fazemos e orgulhosos pelo que entregamos aos nossos clientes..

Feliz 2011!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Atentos às oportunidades das verticais

2 notícias lidas hoje apontam possíveis verticais naturais para empresas de software estabelecidas em 2 dos estados brasileiros: o Valor Econômico de ontem mostra o Rio como o estado concentrador da inteligência no petróleo (veja), enquanto que o Diário de Pernambuco de hoje mostra Pernambuco como novo pólo naval e automobilístico no Brasil (aqui).

Investimentos de grande porte como estes possibilitarão grandes oportunidades potenciais para empresas de software que se dedicarem a automatizar os variados processos das empresas das verticais investidoras. Afinal, se "software é puro conhecimento num formato codificado" (C.Roeding), quanto maior é a necessidade e o volume de conhecimento complexo e especializado a ser gerado, maior será a necessidade de automatizar esse conhecimento num formato codificado, não é mesmo?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Flash mob no Recife: Feliz Natal!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ZQOU8JSHMBw&feature=player_embedded

É exatamente aos 2 minutos e 47 segundos desse vídeo que o povo é tomado pela energia desse flash mob realizado pela Globo num shopping do Recife, em comemoração ao Natal. É a hora do grito "Viva o meu Pernambuco!", que arrepia a quem é pernambucano. Só tem uma coisa: não pense que pernambucano é só aquele que nasce no estado de Pernambuco. Aqui dizemos que bastou viver em Pernambuco para ser  pernambucano. Conheço até argentino que diz que nem se acha mais argentino, tãopouco brasileiro.. ele "é" pernambucano!

Por que isso acontece? Pelas pessoas que são encontradas aqui! Gente autêntica, trabalhadora, risonha, hospitaleira, que não se abate nas dificuldades e que sabe criar oportunidades! As universidades e as oportunidades de trabalho, a riqueza cultural, o clima e as belezas naturais também contribuem.. O fato é que muitos (antes principalmente de estados do Norte e Nordeste, mas, nos últimos anos, de vários estados do Brasil) vêem para cá estudar ou trabalhar, casam-se ou vêem os filhos casados aqui, estabelecem residência e se tornam legítimos pernambucanos!

E do Recife, uma das jóias de Pernambuco ("a Paris do Nordeste", segundo Caetano Veloso!), vai o meu desejo de um realmente Feliz Natal em família para cada um de vocês, que moram em todos os estados deste nosso amadíssimo Brasil! Temos, todos, muito a agradecer...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Resumo de 2010

Qual seria o valor de uma comunicação que não é entendida? Na minha opinião, nenhum.. Somos seres comunicativos por excelência, e o valor de algo ou alguém só existe se outro alguém o reconhece, o aplica e recebe benefícios desta aplicação...

Digo isto porque sempre me dizem que consigo me comunicar de uma forma clara, concreta e importante para quem eu falo (meu público-alvo). E isso me deixa feliz, porque estas são, na minha opinião, as 3 grandes qualidades da comunicação. Então, usando da conhecida síntese, veja a seguir o resumo de respostas de auto-avaliação dos vendedores de software, coletadas no ano de 2010, em relação ao que são, como são e como podem melhorar e vir a ser em 2011..


Vendedores de SW Onde estamos melhor Onde mais precisamos melhorar
Como somos Conhecemos o produto e ouvimos os clientes Não conhecemos o mercado e somos ansiosos
Nosso objetivo Preocupamo-nos em oferecer produtos e serviços que atendam às necessidades dos clientes Temos dificuldade em mostrar o valor do produto ou serviço
O cliente perfeito Aquele que sabe o que procura
Atividades desempenhadas Definição do Público-Alvo e Posicionamento SWOT, Benchmarking, Definição de Canais de Venda e Prospecção
Nossas mensagens de Marketing e Vendas Preocupa-nos a organização e a beleza da apresentação Não somos completos nos dados apresentados e não induzimos o  cliente à ação
O que mais nos incomoda
Prospecção e abordagem a clientes
Fonte: Pesquisas feitas online e nos cursos da Engenharia de Vendas para Empresas de Software

Levar as práticas da Engenharia de Vendas para mais empresas brasileiras de software e aprimorar os seus respectivos vendedores com um treinamento de venda de software cada vez mais claro e concreto continuará a ser a nossa missão em 2011. Que nos encontremos no Novo Ano e que celebremos o crescimento das suas vendas!

Satisfação = $ + Competência + Propósito + Autonomia

Dinheiro é importante e significa a diferença entre "tranquilidade" e "preocupação". É assim com todos nós. Quando geramos, fazemos e ganhamos dinheiro o suficiente para o que queremos e como desejamos viver (ou seja, se o dinheiro no final do mês não é mais um problema...), temos a segurança de que podemos pagar todas as contas, comprar o que quisermos, viajar para onde desejarmos, ajudar a quem tivermos vontade, investir para o futuro.. Com dinheiro assegurado, no nível que queremos (e isso varia de pessoa para pessoa, sim..), passamos a querer outras coisas. Passamos a nos motivar por outras coisas, além do dinheiro. Este "a mais" passa a ser um conjunto de 3 fatores, segundo a magistral conversa de Dan Pink na RSA (em inglês, vídeo abaixo):

1- Autonomia
2- Competência
3- Propósito

Vamos inverter um pouco a ordem e falar primeiro de Competência, já que ela é a base para que ao profissional seja dada Autonomia - e para que ele consiga enxergar o Propósito do que faz.  Competência é estar no lugar certo (empresa, área, atribuição e cargo) na hora certa (hoje). É se esforçar para conhecer cada vez mais sobre o que faz, para quem faz e para que tal é feito. É se aprimorar todos os dias para que o hoje seja aproveitado e gere resultados "hoje". É ter a humildade para ver a competência como uma "exigência" do que fazemos, para merecermos a(s) oportunidade(s) que temos.

Propósito também deve preceder a Autonomia. Só a quem tem Competência e vê Propósito no que faz pode ser dada, livremente, Autonomia. Propósito é a "razão pela qual algo existe, ou é feito, criado e usado" (fonte). Esta definição não é pequena, nem leve. Propósito é "o porquê levantamos todos os dias e trabalhamos", é o que vai construir o nosso legado e a nossa contribuição para a empresa, clientes, setor, país.. Se temos um Propósito edificante, dignificante, é ele que nos dirige como um farol para chegarmos até onde queremos chegar. Muito frequentemente, chegamos a ele..

Autonomia é a liberdade para agir, para desempenhar o trabalho da melhor forma que vemos possível. A Autonomia cresce com a Competência e o Propósito que o profissional tem. Geralmente associada com o tempo (aí a discussão é infinita, já que cada um de nós tem um "tempo" além do cronológico..), mesmo um jovem profissional pode e deve ter Autonomia. Mas, para isso, a condição é que ele tenha Competência e enxergue o Propósito do seu respectivo desempenho. Por outro lado, quanto mais experiente, mais Autonomia o profissional "sente que precisa".. As condições, no entanto, continuam as mesmas: tem Competência para agir com Autonomia e vê o Propósito maior do que faz?

Se satisfação pessoal = [compensação financeira + as habilidades para competência, propósito e autonomia], o que está lhe faltando? E o que você pretende fazer neste final de 2010 e início de 2011 para equilibrar esta possível fórmula?




Fonte: http://www.youtube.com/user/theRSAorg#p/u/2/u6XAPnuFjJc

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fórmula da excelência no trabalho?

A revista Veja divulgou esta semana uma pesquisa feita pela Fundação Estudar que mostra a seguinte fórmula para a "excelência nos estudos":

Excelência nos estudos = + incentivo máximo dos pais e/ou professores + esforço acima da média, competitividade, hábito de planejar e medo zero dos estudantes

Não muda muito quando o estudante entra na vida profissional, muda? Acho que não.. Se existisse fórmula para a excelência na vida profissional, ela poderia ser a seguinte:

Excelência no trabalho = + incentivo máximo dos chefes e/ou mentores (quando temos ou escolhemos um..) + esforço acima da média, competitividade, hábito de planejar e medo zero (com consciência muito maior das consequências..) dos profissionais

Faz sentido? 

Estamos sempre aprendendo e não deixamos de ser estudantes ou aprendizes enquanto vivemos.. Talvez por isso, a fórmula seja similar para tentarmos atingir a excelência no trabalho...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Somos o que fazemos

O que nós somos é o resultado do que fazemos. Ou.. o que nós fazemos demonstra claramente como somos...

Quem é generoso, compartilha.
Quem é pontual, chega na hora.
Quem se prepara, não deixa perguntas sem respostas.
Quem é ativo, não posterga.
Quem vê que quanto mais se sabe mais há a saber, coopera.
Quem quer olhar através dos olhos do cliente, pergunta.

Já...
Quem não pergunta, assume que sabe.
Quem não coopera, não constrói mais conhecimento.
Quem posterga, é inativo.
Quem deixa perguntas sem respostas, não educa.
Quem não chega na hora, gera desperdício de riqueza (tempo!).
Quem não compartilha, não acumula o que recebe em reciprocidade por compartilhar...

Ah, ciclo da vida...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O "para quem" define o "como vender"

A grande maioria das empresas de software tem o foco nos produtos que desenvolve e nos serviços que presta aos seus clientes. Quando vendem, abordam os clientes (todos os clientes..) com a argumentação da qualidade técnica dos produtos e serviços que vende. O discurso é sobre funcionalidades e características técnicas, e a mensagem escrita e visual, assim como a falada, foca as funcionalidades e características técnicas da aplicação.

Mas o "como vender" é, na realidade, definido e facilitado pela prévia definição do "para quem". Para quem você desenvolveu seu software? Para que uso o seu software foi desenvolvido? E que problema/necessidade/desejo "específico e prioritário" (atenção redobrada nesses 2 adjetivos, que evitarão o adiamento da compra..) o seu software ajuda esses clientes reais e/ou potenciais a resolver/atingir?

Se não estiver muito claro quem vai ser "mais beneficiado" pelo seu software, não será clara, concreta, nem importante a sua mensagem/abordagem para os clientes prospectados. Quem são? Que preocupações eles têem? Como eles trabalham? A que eles dariam valor? Se não houver perfeita adequação entre a mensagem e o ouvinte e adequação entre a oferta e o comprador, longo será o processo da venda..

Cada tipo de cliente, de diferentes segmentos e especializações, tem perfil, contexto e prioridades diferentes. Para que a nossa abordagem e condução da venda possam ser vitoriosas, esses perfis, contextos e prioridades devem estar muito bem definidos e conhecidos durante a nossa preparação para a venda..

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Seus diálogos são produtivos?

"Guia para diálogo produtivo: se você tem algo útil a dizer, diga. Se não tem, não diga." - Tim Hurson

A regra do diálogo produtivo de Hurson não se aplica nas nossas horas de lazer, mas é ouro nas horas de trabalho e de solução de desafios. Por que? Porque, se tudo o que falamos (quando falamos) no trabalho é útil, não perderemos tempo com o que é inútil. Não perdendo tempo com o inútil, ganhamos tempo - nas vendas, nos lançamentos de produtos e serviços, na correção de problemas, etc.

Posso pensar em outras regras.. Uma regra que me parece importante para a produtividade dos diálogos é "não falar demais". Diálogos devem ser dinâmicos, uma troca verbal de visões, idéias e conclusões "entre pessoas". Se um tenta controlar e monopolizar o diálogo, seja o vendedor ou o diretor, em pouco tempo os demais perdem o interesse naquilo em que não têem chance de participar. O diálogo, a essa altura, virou um monólogo, com consequências não tão boas: para um vendedor alonga o processo de entendimento do cliente, para um diretor o distancia da equipe. A compulsão de falar é a causa, o distanciamento do ponto de chegada (o objetivo de cada um) é a consequência...

Outra regra importante? Ter atenção para "interagir". Manter o fluxo encadeado de pensamentos entre um grupo de pessoas transforma o teor dos diálogos muito mais rico, já que conterá visões de um grupo com experiências múltiplas. Pessoas que não interagem, mesmo que não tentem monopolizar as conversas, estão sempre dando um "reset" nos diálogos. Se o grupo está falando sobre A, ele(a) faz um corte no assunto e começa a falar sobre B, que não tem relação com A (se tivesse, o corte seria menos improdutivo..)..

Improdutivos, diálogos podem se alongar desnecessariamente pelas interrupções causadas pela falta de interação, participação e avaliação da utilidade do que é dito... Se tempo é dinheiro, quanto mais produtivos forem os nossos diálogos, mais bem-sucedidos seremos na nossa atividade-fim: aumentar o patrimônio líquido das nossas empresas...